A crise que atravessamos é sui generis

Infelizmente, em 10 anos, o cenário não mudou. Em 2011 enfrentámos a crise de frente: uns a entrar nas universidades, outros a entrar no mercado de trabalho. Sofríamos com os problemas crónicos de uma geração que, apesar de ser a mais qualificada, tinha uma grande dificuldade em encontrar trabalho e com salários que possibilitassem sonhar com condições melhores que aquelas que os nossos pais tiveram. Passados 10 anos, vemos que a realidade não mudou. Os que estavam a entrar nas universidades procuram hoje trabalho estável sem andarem a saltitar de estágio em estágio. Os que estavam a entrar no mercado de trabalho sofrem hoje com a precariedade, salários baixos e instabilidade laboral. Vidas suspensas sem expectativas de melhorias.

A crise que atravessamos é sui generis. Sabemos que veio no meio da aparente recuperação económica (que nunca chegámos a sentir nas nossas vidas). O Governo desdobra-se em anúncios de medidas e apoios que tardam a chegar ao seu destino – as pessoas. Entretanto, nós, jovens, estamos em casa fechados, privados de liberdade e recursos financeiros que nos permitam ver para além dos confinamentos e estados de emergência sucessivos. Queremos que o reconhecimento da geração mais bem preparada seja efectivado: melhores salários, empregos estáveis. No fundo, algo que nos faça sonhar com o futuro. Apelamos a que as medidas anunciadas cheguem rapidamente às empresas e trabalhadores, especialmente os mais vulneráveis e os mais jovens. É crucial dar esperança a toda uma geração que se sente perdida.