Tradição da máscara ibérica

Os caretos ou coretos do Douro e Trás-os-Montes inserem-se na tradição da máscara ibérica do entrudo.

A tradição envolve jovens rapazes em correrias pelas aldeias a fazer todo o tipo de tropelias e violências sobre a população, algumas com teor cómico, outras de carácter punitivo, como que a sentenciar transgressões às normas morais da sociedade.

Os diabretes mascarados criam assim um clima de “terror sagrado” que é ao mesmo tempo uma comédia do ridículo, levando atrás de si a brincadeira, o castigo, o rebuliço, o susto, etc. O entrudo português, dentro da sua génese identitária europeia, é uma cerimónia de purificação espiritual e um exemplo de religiosidade popular.

A Democracia cheira a livros queimados

Livrarias que só vendam livros têm de permanecer encerradas. Mais uma lei incompreensível para mais um confinamento injustificável.
Mais uma vez, são os pequenos comerciantes que se vêm desprotegidos perante a concorrência dos grandes. O resultado será o encerramento de espaços que permitiam que outro pensamento que não o oficial floresça.

Juventude ao Poder

“Por todo o nosso universo, a juventude espera. Espera não sabe bem o quê, mas algo de diferente do que lhe prometem os doutores do marxismo ou do liberalismo. Espera, tem esperança em qualquer coisa de novo, que rompa com as idolatrias do presente. A juventude não crê no paraíso futuro, no vindouro reino da abundância que lhe oferece o marxismo, considerando tão rasteiro objectivo incapaz de legitimar os inflexíveis meios de terror empregados. E muito menos crê nas blandícias parlamentaristas e pluripartidárias, nas tentativas de castrar tudo quanto é enérgico, rude, impetuoso, trágico em nome de um conformismo sem conteúdo, de um ethos pequeno-burguês que se aterra perante o que é grande e digno e só conhece as regras da utilidade e, sobretudo, do conforto.
Essa juventude de hoje, revoltada e desorientada, que pretende achar na sua agitação e turbulência, senão uma palavra de ordem definitiva e insuperável, uma hierarquia de valores inabalável e inequívoca, numa ânsia incontida de absoluto?”

António José de Brito
in “Tempo Presente”, 20/12/60.