Um povo sem história é um povo sem presente

A cada dia que passa sucedem-se os atentados ao património histórico-arqueológico em Portugal. Um pouco por toda a parte, empresários sem escrúpulos, grandes conglomerados estrangeiros e agentes económicos vários, sempre respaldados e protegidos pelos comparças instalados no poder local, têm carta branca para em poucos dias reduzir a escombros a herança milenar legada pelos ilustres antepassados que habitaram estas costas atlânticas. A agricultura intensiva, a extração de recursos minerais ou florestais e os empreendimentos turísticos ou industriais são as desculpas usadas para justificar a destruição do património, sempre sob a capa do crescimento e desenvolvimento económico. A própria justiça, sempre comprometida com interesses económicos obscuros, faz vista grossa aos inúmeros crimes cometidos contra o património público, cada vez mais desprezado pelas políticas deste (des)governo sem rumo. As queixas-crime são sucessivamente arquivadas e os autores dos crimes saem impunes. Nem mesmo o Património Mundial classificado escapa incólume ao vandalismo e destruição perpetrados por ignóbeis sem consciência. Sem uma agenda concreta na defesa do património material e imaterial, vão definhando tradições intemporais e caíndo em ruína os vestígios da obra e da história da povo lusitano. Mas um povo sem história, é um povo sem presente, e um povo sem presente não pode ter esperança de futuro. Sob a falsa bandeira do crescimento económico autarquias vão dando o aval à destruição de importantes locais de reunião e de culto que resistiram à passagem dos séculos ao longo e chegaram até aos nossos dias. De forma criminosa, autarquias aprovam projectos milionários, sem qualquer critério paisagistíco, histórico ou artístico, para que com orçamentos derrapantes, possam encher os bolsos com os impostos do conrtibuinte. É dever obrigatório de todos portugueses serem incansáveis na defesa vigorosa e incondicional das tradições dos antepassados e monumentos do passado, contra todos aqueles que querem ver destruídas as raízes da nação. Ergue-te, defende o passado. Defende o futuro.